Vingadores: Guerra Infinita – Caos, autoridade e liderança

Confira as lições de liderança do filme que está quebrando recordes de bilheteria e surpreendendo o público

Após 141 minutos de filme o que resta é teorizar. Quando falamos de película cinematográfica, ainda presente – mesmo após a digitalização – em vários cinemas do Brasil, que utiliza 24 quadros por segundo para que a imagem pareça em movimento, Guerra Infinita conta com incríveis 203.040 fotogramas. 8460 segundos de grandes surpresas, perdas e caos. Não pareceu ser o suficiente para a experiência que o filme proporcionou. Quem deixou a sala de cinema sentiu que os 4115 metros de película não contaram a história toda. A ansiedade para saber o que vem por aí é unânime. Depois de 2h35 de filme, seja em película ou em formato digital, infinita mesmo é a quantidade de dúvidas.
Para os fãs e admiradores do Universo Marvel, após 10 anos de grandes contribuições para a história do cinema, Guerra Infinita conseguiu surpreender ainda mais o público. Apesar da quantidade de heróis e o protagonismo de Thanos, cada personagem teve seu espaço na narrativa e um papel importante na jornada conjunta dos heróis: impedir que o vilão reúna as Joias do Infinito e dizime metade da população do universo.

Superando todos os recordes de bilheteria e faturamento, segundo o site da revista Folha, o maior filme da Marvel Studios tornou-se disparada a maior estreia global de todos os tempos. No filme, estão presentes mais de 25 heróis e o que parecia ser um detalhe preocupante é a maior sacada dos diretores, irmãos Russo. Não são os heróis que roubam a cena, e sim, o vilão Thanos, personagem incrivelmente trabalhado, humanizado e mesmo com propósitos conturbados sobre o equilíbrio do universo, não mede esforços para lutar por sua causa. A excelente atuação de Josh Brolin como a grande e poderosa criatura roxa é uma menção que não pode deixar de ser realizada. Todas as críticas aclamaram o ator e até mesmo Jim Starlin, criador de Thanos, não economizou elogios.

Liderança

Falar sobre liderança e o papel do líder sempre rende bons debates. Mesmo soando ultrapassado, liderança é um comportamento necessário quando falamos do ambiente corporativo. E queira ou não, é um assunto que sempre será muito discutido. Mas quais são as lições que podemos extrair de Guerra Infinita?
Embora cheio de heróis em situações fictícias, o filme deixou algo claro: líderes são extremamente importantes na hora de engajar e motivar equipes. Seja dentro ou fora das telas, as competências e habilidades de um líder são determinantes na hora de orientar pessoas à solução, atingimento de metas e bons resultados.
Seja com os atributos como a inteligência e influência de Tony Stark, audácia e humor de Peter Quill, perspicácia, desenvoltura e sarcasmo de Dr. Estranho ou resiliência, foco e coragem do Capitão América, na hora de unir forças as diferenças ficam de lado. Assim deve ser dentro de uma organização. Problemas individuais não podem impedir a excelência da entrega quando desafios e crises aparecem e exigem alta performance de toda equipe.

A rivalidade entre o Capitão América e o Homem de Ferro precisou de trégua no momento em que algo muito maior exigiu união e dedicação de ambos. Por maior que seja a vontade de ser comandante e agir com autoridade, líderes precisam trabalhar com a horizontalidade. Antigamente sim, as relações gerenciais baseavam-se apenas na dinâmica funcional de comando/controle, na hierarquia imposta pelo exercício dos cargos, no pressuposto de que uns devem mandar e outros obedecer. Os gerentes e supervisores mandavam e os subordinados, os funcionários, obedeciam.

Mas os cenários e as relações dentro das empresas mudaram. Uma pessoa não está sozinha e ser só líder não basta. A liderança é uma prática contínua que demanda treinamento e preparação.
Todos os heróis precisam exercer a liderança, seja ela com ou sem autoridade. No filme, alguns perfis ganham destaque e cada líder é importante para enfrentar os desafios que surgem. Thanos, é um grande obstáculo que exige dos Vingadores união e muito trabalho em equipe. Nas empresas, os profissionais enfrentam vários ‘’vilões’’, tão imbatíveis como o Thanos, durante a exercício da função, no dia a dia organizacional e na construção da carreira. Como não repetir os erros observados no filme? Como não reproduzir os erros de chefes e profissionais sem o perfil de liderança?

Isabel Egler, consultora do Instituto Fenasbac, observa que autoridade não necessariamente significa liderança, uma vez que a autoridade deriva do cargo ocupado formalmente pelo profissional, enquanto liderança tem sido entendida como um atributo que decorre do perfil comportamental do indivíduo. Esta distinção entre autoridade e liderança nos permite lembrar que algumas pessoas, embora ocupando altas posições na escala hierárquica da organização, frequentemente falham quando a demanda é essencialmente por uma ação de liderança.

‘’É importante registrar que a autoridade formal, o conhecido “chefe”, também pode ser capaz de liderar. Na verdade, esta duplicidade de papéis requer uma rara expertise, porque este gestor tem que saber usar sua autoridade de comando/controle e, ao mesmo tempo, ser capaz de inspirar e influenciar. Ou seja, ter a arte de comandar e controlar com carisma extremado.’’

Mas, certamente, para ser simultaneamente autoridade e líder, vários desafios devem ser habilmente enfrentados. Dentre eles, destaca-se o poder que a alta hierarquia ocupada lhe confere. Este privilégio frequentemente seduz o gestor, por ser muito mais fácil e rápido lançar mão de um recurso coercitivo, do que buscar a verdadeira liderança, que vai lhe exigir habilidades de comunicação, argumentação e influência. É nessa linha de ações coercitivas que agem diversos chefes e até personagens fictícios com a autoridade questionada. Por outro lado, a simples liderança sem as exigências inerentes a “chefia” abre espaço para que a liderança possa naturalmente fluir, com menos pressão e a possibilidade de maior aproximação com os liderados.

‘’Estamos aqui falando, de forma abrangente, de todos os líderes atuais ou potenciais, e não apenas de empreendedores, aqueles responsáveis pela criação de novas organizações, de qualquer porte ou natureza. Estamos falando de pessoas que pertencendo ou não ao quadro de colaboradores do empreendimento, sejam capazes de promover mudanças que não respeitem hierarquias e se espalhem, sendo capazes de transformar posições de autoridade em verdadeiras lideranças.‘’

Considerando essas mudanças, tão necessárias, mas nem sempre fáceis de serem conseguidas, um líder pode empoderar outras pessoas, de certa forma, distribuindo o poder?

‘’Sim, estamos vivendo uma época em que, em função de um contexto em constantes, complexas e aceleradas mudanças, ganha cada vez maior importância a capacidade adaptativa. Além disso, na natureza, uma das principais fontes de adaptabilidade observadas é a denominada inteligência coletiva, que pode ser entendida como uma inteligência compartilhada que surge da colaboração de muitos indivíduos diferentes. É uma inteligência distribuída por toda parte, na qual todo o saber está na coletividade, já que ninguém sabe tudo, porém todos sabem alguma coisa.’’

Nos atuais ambientes corporativos, a inteligência coletiva que facilita o trabalho adaptativo tem sido extremamente valorizada, substituindo em importância a mera resolução de problemas técnicos. Novos conceitos, como o de inteligência coletiva enfatizam o poder que profissionais em alta posição hierárquica tem de transferir conhecimento e poder para outras pessoas, as empoderando.

Os últimos filmes da Marvel junto com Vingadores: Guerra Infinita estão transformando a nova era de filmes de super-heróis. Personalidades bem trabalhadas e vilões com causas reais – vale a pena lembrar de Killmonger, personagem de Pantera Negra, estão se destacando e indo muito além dos clichês sobre as lutas entre o bem e o mau e as relações entre as diferentes equipes.
Para saber como os heróis se saíram nessa aventura é preciso ir às salas de cinema e aguardar a segunda parte do filme. Os perfis de liderança e autoridade são fáceis de observar. Fugindo da ficção e olhando para a necessidade de líderes de alta performance que saibam engajar equipes, anote: o mundo corporativo não é como uma guerra infinita, mas vai exigir muito trabalho em equipe e liderança adaptativa. Copiando da ficção: evoluir e querer fazer a diferença é questão de sobrevivência. As transformações não param, os desafios são tão imbatíveis como Thanos. Não é preciso heróis, mas bons líderes!

‘’Se tratando a liderança sem autoridade de uma habilidade capaz de ser desenvolvida, investimentos devem ser permanentemente feitos para que pessoas, jovens ou não, adquiram e aprimorem esse atributo tão valorizado nos atuais cenários corporativos’’ conclui Isabel.

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