Do sonho à execução – O sucesso do Rock in Rio como modelo de negócio

Passados 32 anos da primeira edição do festival, a Cidade do Rock se transformou em um laboratório vivo de práticas de gestão

Em um livro sobre a história da música, o Rock in Rio não é uma frase, muito menos uma página. É um capítulo elementar e transformador. A partir dele, surgem novos caminhos e uma propagação infecciosa em escala mundial. Surge um vírus benéfico movido a sensações que fala a língua universal: a emoção. O contágio é inevitável.

A magia começa em 1985, ano de importantes acontecimentos, em que o Brasil saía de uma ditadura militar e a população ansiava por dias melhores. Todos os setores buscavam novos horizontes e o possível crescimento da economia enchia os corações dos brasileiros de esperança. O ano foi marcado por perdas como a morte de Tancredo Neves e Cora Coralina, o encontro dos destroços do Titanic e as primeiras vitórias de Ayrton Senna. No cenário musical, a primeira edição do festival entra para a lista de acontecimentos históricos.  O evento foi uma semente em solo favorável ao cultivo. Incríveis frutos nasceriam dali.

Este ano o festival completa 32 anos, mas a alma do evento permanece com uma só idade: a de um adolescente com o coração batendo forte, pulsando sensações, ofegante, obedecendo os comandos biológicos provocados pelas substâncias que percorrem o corpo quando nos deparamos com uma emoção letal: a paixão.

Se pudermos resumir o RIR, o evento é justamente isso: um jovem sofrendo sensações inconstantes, guardando na alma o encanto de sonhar e crer que nada é impossível. O Rock in Rio foi e ainda é responsável em realizar grandiosos feitos. Importantes para a música, revolucionários para o Brasil.

Para estimular o imaginário de quem não esteve presente na primeira edição, entre as atrações internacionais que passaram pelo palco da primeira Cidade do Rock, erguida no Rio de Janeiro, estavam Iron Maiden, Whitesnake, Scorpions, Ozzy Osbourne, Rod Stewart, AC/DC, Yes e Gogo’s. Entre as nacionais estavam Erasmo Carlos, Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, Gilberto Gil e Moraes Moreira, além dos ex-Novos Baianos Pepeu Gomes e Baby Consuelo. A primeira edição já mostrou a que veio.

Há uma cena que entrou para a história, conhecida por quem não foi e até por quem não era nascido: a apresentação inesquecível de Freddie Mercury, Queen, cantando “Love of My Life” e emocionando cada pessoa presente.

Uma experiência inesquecível

Para Fátima Regina, duas camisetas valeram a experiência inesquecível de assistir ao show da banda Queen e do cantor britânico Rod Stewart, além das outras atrações. ‘’Fui para o Rio de férias sem a intenção de ir pro evento. Era uma coisa nova, não sabíamos como seria.’’ Na época, com 21 anos, ganhou os ingressos na compra das camisetas em uma loja de departamentos. Sem nunca ter ido em um festival do mesmo porte, preferiu arriscar.  ‘’Choveu muito, mas foi muito bom. Sem explicação.’’

26 anos depois, Regina levava a filha, Thais, 17, para sentir a mesma energia. “Só quem vai para assistir é que sente.”

“Se eu puder voltar, vou voltar quantas vezes for possível. É fantástico.”

“Música, conscientização e ação. Isso é Rock in Rio”

De acordo com o site oficial, foi a partir da terceira edição carioca que o Rock in Rio consolidou o projeto Por um Mundo Melhor, que nasceu com o intuito de usar a força do festival para motivar as pessoas a buscarem melhorias de vida por meio de mudanças cotidianas.

De lá pra cá, mais de 71 milhões de reais já foram investidos em ações que incluem o plantio de 304 mil árvores, a construção de uma escola na Tanzânia e um centro de saúde no Maranhão, a educação de 3.200 jovens no Ensino Fundamental no Rio de Janeiro, instalação de 760 painéis solares em 38 escolas em Portugal, a instalação em ONG de 14 salas sensoriais para melhorar a qualidade de vida de centenas de jovens portadores de necessidades especiais em Portugal, doação de mais de 2.200 instrumentos para cerca de 150 instituições sem fins lucrativos, a construção de dez salas de música em escolas públicas e a formação de assistente de luthier a 40 jovens de uma das primeiras comunidades pacificadas do Rio de Janeiro.

O Rock in Rio fornece um plano de sustentabilidade às empresas que trabalham no evento para que práticas sustentáveis façam parte da rotina de seus fornecedores e parceiros. Foi o primeiro festival 100R, selo que garante a valorização e reciclagem do lixo produzido, mantendo uma média de reciclagem na ordem dos 70%.

Do sonho à execução – Rock in Rio Academy

Formação de executivos usa imersão nos bastidores do festival para gerar novos modelos de negócios

O Rock in Rio é fruto da mente do publicitário Roberto Medina, que com olhar visionário transformou o festival bem mais do que lazer e diversão. O modelo de negócio do RIR foi transformado em case pela HSM Educação Executiva, que resultou no projeto Rock in Rio Academy, uma escola de negócios dentro da Cidade do Rock, que promove maratonas de palestras para extrair todas as lições de gestão do Rock in Rio.

A HSM Educação Executiva espelhou-se no exemplo da Disney Dreamers Academy, aliando o maior festival de música e entretenimento do mundo à escola de negócios mais renomada do país. Entre os ensinamentos, estão os planos estratégicos para fortalecer a marca, como gerar grandes impactos sociais e ambientais, como valorizar o público e cultivar fãs ao invés de clientes.

“Para criar um evento de massa que atrai mais de 100 mil pessoas em um dia é preciso inovar sempre”

O curso surgiu de uma demanda de profissionais, educadores e executivos interessados em entender como uma marca brasileira mantinha-se, há três décadas, entre as maiores do mundo no segmento do entretenimento e dos grandes festivais, com eventos realizados em Lisboa e Madri, além das edições brasileiras.

“O Rock in Rio era constantemente procurado por instituições de ensino para apresentar seu case. Por isso, eles buscaram um parceiro em educação executiva para estruturar todas as informações em um curso. Neste momento é que entra a HSM Educação Executiva, como sócia do projeto, para estruturar um programa que conte como o sonho se desdobra na estratégia, o papel do líder criativo e as etapas do processo”, afirmou Denis Garcia, diretor de novos negócios e parcerias da HSM Educação Executiva.

Entre os palestrantes estão Roberto Medina, fundador e presidente do Rock in Rio; Luis Justo, CEO do festival; Roberta Medina, VP executiva; Agatha Arêas, diretora de Marketing; Ricardo Acto, VP de Operações Globais; e Zé Ricardo, diretor artístico do Palco Sunset. Além disso, o programa recebe patrocinadores, artistas e clientes do festival.

De acordo com o site da HSM, o Rock in Rio Academy é um espaço único de aprendizagem e experimentação dos principais desafios da gestão contemporânea, trabalhando estratégias de execução e entrega, conteúdos inovadores, conhecimento compartilhado e insights dentro do maior festival de música e entretenimento do mundo.

Para Agatha Arêas, diretora de marketing do Rock in Rio, o evento é a realização de um sonho. “O Rock in Rio não é nada mais do que o sonho de Roberto Medina, um homem alucinado que viu potencial empreendedor em uma ideia que teve da noite para o dia”, diz.

Números impressionantes

Dias 15, 16, 17, 21, 22, 23 e 24 de Setembro.
Local: Parque Olímpico do Rio de Janeiro

 

Por Katharyne Castro

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